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quinta-feira, 15 de março de 2012

Meu Encontro com o Grande Espírito



Sonhei um dia que tive uma conversa com o Grande Espírito.

"Entre!", disse o Grande Espírito. "Então você quer conversar comigo?"

"Se você tiver tempo", eu respondi.

O Grande Espírito sorriu e disse "Meu tempo é a eternidade e é suficiente para que eu faça qualquer coisa. O que tem em mente para me perguntar?"

"O que lhe surpreende mais na raça humana?"

E o Grande Espírito respondeu:

"Que se aborrecem por serem ainda criança, que se apressam em querer crescer e que então lamentam por não serem mais crianças".

"Que perdem sua saúde para conseguirem ter dinheiro e então perdem dinheiro para restaurarem sua saúde".

"Que por pensarem de forma ansiosa sobre o futuro, eles se esquecem do presente de tal forma que não vivem nem para o presente nem para o futuro".

"Que vivem como se jamais fossem morrer, e morrem como se jamais tivessem vivido".

As mãos do Grande Espírito apertaram as minhas e permanecemos em silêncio por alguns instantes.
Então eu perguntei, "Quais são as lições que as crianças devem aprender para quando tiverem seus filhos?"

E o Grande Espírito, com um sorriso, respondeu:

"Aprender que não podem fazer alguém passar a amá-los. O que eles podem fazer é deixar a si mesmos serem amados".

"Aprender que a pessoa rica não é aquela que tem o máximo possível, mas é aquela que necessita do mínimo".

"Aprender que leva apenas alguns segundos para se abrir feridas profundas nas pessoas que amamos, e que leva muitos anos para as curarmos".

"Aprender que há pessoas com o poder de amar intensamente, mas que simplesmente não sabem como expressar ou mostrar seus sentimentos".

"Aprender que duas pessoas podem olhar para uma mesma coisa e vê-la de modos totalmente diferentes".

"Aprender que nem sempre basta que eles sejam perdoados pelos outros, e sim que eles devem saber como perdoar a si mesmos".

Sentei-me ali por algum tempo apreciando aquele momento. Agradeci a Ele por Seu tempo dedicado a mim e por tudo que sei que Ele tem feito por mim e por minha família.

Ele respondeu "Não tem do quê agradecer. Sempre estou aqui com você, 24 horas por dia. Tudo o que tem a fazer é me perguntar suas dúvidas e sempre lhe responderei".

                                                                                                                                 Autor: Desconhecido




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terça-feira, 13 de março de 2012

5A Punta de Lanza "Una Historia verídica"



Nos muestra la vida de unos misioneros que dando su vida por Dios y el verdadero amor por las almas donde no se espera nadan a cambio, solo que conozcan al único Dios verdadero.



5A Punta de Lanza "Una Historia verídica"



Nos muestra la vida de unos misioneros que dando su vida por Dios y el verdadero amor por las almas donde no se espera nadan a cambio, solo que conozcan al único Dios verdadero.



Faça acontecer

Existem três tipos de pessoas: as que deixam acontecer, as que fazem acontecer e as que perguntam o que aconteceu.

John M. Richardson





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segunda-feira, 12 de março de 2012

O fogo, a água, e a confiança



Era uma vez... o FOGO, a ÁGUA, e a CONFIANÇA.

Eles entraram em uma floresta escura e o fogo disse:
- Se eu me perder procurem a fumaça, pois onde há fumaça, há fogo!

A água disse: - Se eu me perder me procurem na umidade,
pois onde onde há umidade há água!

Então a confiança disse: - Se eu me perder não me procurem,
pois uma vez perdida nunca mais me encontrarão...

"A confiança é a base de todos os sentimentos",
nunca perca a confiança de ninguém, ela jamais volta.


                                                             
                                                                                              Autor desconhecido






quarta-feira, 7 de março de 2012

Rhapsody In Blue - Gershwin - Original Piano Roll -Veja atentamente...Tributo a um genio....





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O Princípio 90/10







De acordo com Stephen Covey, 10% da vida estão relacionados com o que se passa conosco e não temos controle sobre eles, já 90% com a forma como reagimos aos fatos que vão determinar suas conclusões.

O que isso quer dizer? Realmente, não podemos evitar que o carro enguice, um avião atrase, um semáforo fique vermelho, etc. Isso representa 10% do que nos sucede. Os restantes 90% serão determinados com nossas reações.

Exemplo: Você esta tomando o café da manhã com sua família. Sua filha, ao pegar a xícara, deixa cair café na sua camisa branca de trabalho. Você não tem controle sobre isto, mas terá sobre o que acontecerá em seguida.

Você se irrita, repreende severamente sua filha, ela começa a chorar. Você censura sua esposa por ter colocado a xícara muito na beirada da mesa e daí, tem o prosseguimento de uma batalha verbal. Contrariado e resmungando, você vai trocar a camisa e voltando, encontra sua filha chorando mais ainda e ela acaba perdendo o ônibus para a escola. Sua esposa vai para o trabalho também contrariada e você tem que levar sua filha de carro para a escola. Como esta atrasado, dirige em alta velocidade é barrado por um guarda de trânsito e multado após 15 minutos de discussão. Deixa sua filha na escola, que desce sem se despedir de você e ao chegar ao escritório, percebe que esqueceu de sua maleta.
Seu dia começou mal e ansioso para terminar o dia, é recebido friamente e em silêncio pela sua esposa e filha, ao chegar em casa.

Por quê seu dia foi tão ruim?
1. Por causa do café?
2. Por causa de sua filha?
3. Por causa de sua esposa?
4. Por causa da multa de trânsito?
5. Por sua causa?
A resposta correta é a de número 5, pois o fator determinante foi a ausência de controle sobre o acontecido.

De outra forma:
O café cai em sua camisa. Sua filha chora e você diz gentilmente a ela: "Esta bem querida, você só precisa ter mais cuidado".
Depois de pegar outra camisa e a pasta executiva, você volta, olha pela janela e vê sua filha pegando o ônibus. Dá um sorriso e ela retribui dando adeus com a mão.

Notou a diferença?
Duas situações iguais com finais opostos. Portanto se alguém fizer um comentário negativo, procure não levar a serio, evitando assim ser afetado e tirando sua energia



Autor: Stephen Covey















terça-feira, 6 de março de 2012

10 segredos para ser feliz









O que mães, profissionais e parceiras que alcançaram o equilíbrio entre seus vários papéis têm a ensinar


A felicidade, claro, não é uma aspiração apenas feminina. A miragem de um tempo perfeito e de uma vida perfeita faz sonhar e inquieta homens e mulheres. Mas, de alguma forma, e de maneira surpreendente, essa miragem parece mais inalcançável para o sexo feminino.

Mesmo depois de beneficiadas, nas décadas passadas, por aquilo que o historiador Eric Hobsbawm chamou de a mais vigorosa transformação da história recente – aquela que as emancipou da servidão doméstica, permitindo que estudassem, trabalhassem e assumissem funções públicas antes reservadas aos homens –, as mulheres ainda sofrem com suas próprias dificuldades e contradições, tanto ou mais do que sofrem com as restrições impostas pela sociedade.

“Toda mulher é uma rebelde, normalmente em revolta selvagem contra ela mesma”, escreveu, com infinito sarcasmo e muita perspicácia, o escritor irlandês Oscar Wilde. As mulheres do século XXI parecem de fato ser as juízas mais severas de si mesmas – em casa, no trabalho, nas relações com os homens e no trato dos filhos. O resultado disso é que a palavra culpa ocupa um espaço desproporcional em suas vidas e atrapalha ainda mais a busca da felicidade.

Na reportagem especial a seguir, ouvimos pesquisadores e profissionais de diversas áreas – dentro e fora do Brasil – para entender como as brasileiras de carne e osso, em sua enorme diversidade, podem ser mais felizes do que são. Os especialistas revelaram muitas coisas – como a relação surpreendente entre o poder das mulheres e a quantidade de sexo que elas praticam ou sobre o erro que o feminismo cometeu ao subordinar a maternidade à realização profissional. Mas nada se compara à experiência das próprias mulheres em organizar melhor suas vidas. Por isso fomos ouvi-las.

Para a empresária Aline Cardoso Barabinot, de 33 anos, o segredo que leva à sua forma particular e inestimável de felicidade é trabalhar muito, mesmo que isso signifique perder momentos preciosos ao lado das duas filhas.

A dentista Patrícia Azevedo Dotto, de 40 anos, deixou sua profissão para ser mãe em tempo integral e se descobriu em seu melhor papel. A administradora de empresas Mônica Nascimbeni, de 32 anos, divide-se entre o trabalho como gerente de marketing numa multinacional e o papel de mãe e companheira. Mas não hesita em deixar tudo para trás, nem que seja por algumas poucas horas, para praticar corrida ou simplesmente ficar sozinha.

A artista plástica Nuria Casadevall, de 48 anos, descobriu uma liberdade com que nunca tinha sonhado ao romper com as pressões sociais para ficar solteira – e muito bem acompanhada dos amigos e dos parceiros que partilhem seus valores de vida, dos quais ela não abre mão por ninguém. Para a publicitária Florencia Lear, de 23 anos, a felicidade está em deixar o namorado a cargo da cozinha.

E até do tanque, se necessário. A atriz e modelo Sandra Garcia, de 27 anos, transformou as exigências de sua profissão em relação a seu corpo numa forma de valorização. Sabe que as horas diárias gastas na academia e as calorias economizadas ao se privar de uma sobremesa são formas de cuidar dela mesma numa vida corrida, em que divide as atenções entre o marido e a filha Manuela, de 6 meses.

Da conversa com essas mulheres – e das novas pesquisas –, extraímos as dez orientações que formam a espinha dorsal desta reportagem especial. Uma primeira conclusão, que atravessa a vida de todas elas e permeia o trabalho dos pesquisadores, é a necessidade de equilíbrio.

Encontrar equilíbrio é o maior anseio das mulheres adultas. Numa pesquisa inédita realizada pela consultoria de comunicação Cappellano, de São Paulo, mais de 30% das mulheres consideraram o equilíbrio como a parte mais essencial de uma vida plena (leia os resultados no quadro abaixo). O amor, segundo colocado, aparece na preferência de 11%. O equilíbrio precede até mesmo o desejo pela felicidade, almejada por 3% das mulheres. Ele é visto como o caminho – ou o primeiro sintoma – da plenitude. “O que resume equilíbrio para mulher é ser capaz de lidar com os obstáculos impostos pelo cotidiano”, diz a psicóloga Ana Mercês Bock, professora da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP).

Para quem se sente longe do equilíbrio, a boa notícia é que atingi-lo não exige revoluções, apenas ajustes. As mulheres desta reportagem já erraram no balanço diário das doses de estresse e riso, de família e trabalho. Mas descobriram como acertar a mão. Cada uma é detentora de um pequeno segredo para facilitar o malabarismo do dia a dia, afrouxar o cabo de guerra e domar o caos doméstico. Os segredos das mulheres felizes, apresentados a seguir, podem servir também ao homem moderno, que nasceu a partir da transformação do papel feminino nas últimas décadas. “O perfil da nova mulher e do novo homem está sendo criado ao mesmo tempo”, afirma Ana, da PUC-SP. Para eles – e sobretudo para elas –, eis os segredos das mulheres que encontraram o equilíbrio.

1. DESCUBRA O QUE VOCÊ QUER

Para equilibrar as forças que nos dividem, primeiro é preciso reconhecê-las. “Não há como estabelecer prioridades e dosar tempo e dedicação se não temos clareza sobre os valores que estão em jogo e quem somos”, diz a psicóloga Lilian Frazão, da Universidade de São Paulo (USP). O processo pode ser longo e árduo – e doer quando a balança pender para o lado errado. Mas, com o passar do tempo, a dor leva à inevitável descoberta de quanto cada elemento da vida – a família, o trabalho e a individualidade – contribui para sua satisfação pessoal.


A empresária Aline Cardoso Barabinot teve a sorte de descobrir cedo que, para ela, o trabalho era tão ou mais importante do que qualquer aspecto da existência. Ela é casada há 12 anos com o francês Jean-Luc.

É mãe de duas meninas – a mais velha tem 5 anos, a mais nova 2 meses – e se considera uma workaholic sem cura. Dirige uma consultoria de negócios internacionais, onde trabalha, em média, dez horas por dia. Mesmo em licença-maternidade, já se pegou lendo e-mails pelo celular enquanto amamentava. As viagens ao exterior são frequentes, quase uma a cada dois meses.

ALINE BARABINOT, 33 anos I Empresária
Prestou atenção em si para descobrir o
que mais a satisfazia. Entendeu que seria
mais feliz e uma mãe melhor se investisse
sem culpa na carreira

Tanto que sua filha mais velha, Isabelle, está acostumada a falar com a mãe pelo Skype. Quando a menina ficou doente e Aline estava fora, algo que já aconteceu duas vezes, o coração de mãe apertou. Mas Aline lembrou que precisava confiar nas pessoas com quem deixara a filha: o marido e a babá. “Comecei a trabalhar cedo, aos 17 anos. Nunca consegui ficar longe do trabalho, até durante um intercâmbio na França”, afirma. A confirmação sobre a importância da carreira para ela veio quando a filha mais velha, Isabelle, nasceu. “Era um momento importante para mim, mas sentia que não sou só mãe”, afirma Aline. “A maternidade é uma parte do que sou, mas não a única. Ficaria infeliz se tivesse de abrir mão das minhas responsabilidades profissionais.”

A psicóloga americana Cheryl Buehler, pesquisadora da Universidade da Carolina do Norte, concluiu que mulheres de vida atribulada, como Aline, podem, sim, ser felizes. Ela acompanhou 1.300 mulheres durante dez anos e se surpreendeu com os resultados de seu estudo, publicado em dezembro no jornal da Associação Americana de Psicologia. As mulheres que trabalhavam fora e conciliavam a dura rotina de mãe e profissional se diziam mais felizes e tinham menos sintomas de depressão do que as mulheres que não trabalhavam. A explicação, segundo Cheryl, é que as executivas tinham mais recursos financeiros do que as donas de casa para contratar babás e empregadas. Mas a felicidade feminina vai além da possibilidade de contar com ajuda em casa, algo cada vez mais raro. Para sentir-se completa, Aline e outras mulheres precisam aceitar o segundo e, talvez, mais difícil mandamento da mulher plena.

2. COMBATA O SENTIMENTO DE CULPA

Foram décadas de luta por oportunidades iguais na educação e no mercado de trabalho. Não é justo que agora as mulheres se punam por não dedicar o tempo que deveriam ao trabalho aos filhos. Ou ao trabalho. Ou ao marido. Ou aos três. “A culpa é o sentimento mais forte da mulher contemporânea”, diz a economista Regina Madalozzo, estudiosa das relações de trabalho e gênero do Instituto de Ensino e Pesquisa (Insper).

Há dois componentes para explicar a culpa feminina. O primeiro vem da biologia, como resumiu a escritora americana Erica Jong numa de suas frases mais famosas: “Mostre uma mulher que não sinta culpa, e eu apontarei um homem”. As regiões do cérebro responsáveis por notar expressões faciais têm quatro vezes mais neurônios nelas do que neles. A cara de choro de um bebê ao ser deixado pela mãe na escola ou o olhar de reprovação do chefe por uma saída durante o expediente as afetam com mais intensidade.

O psicólogo Itziar Etxebarria, pesquisador da Universidade do País Basco, confirmou na prática a maior empatia feminina. Ele mediu a reação de 360 voluntários, entre homens e mulheres, a situações como esquecer o aniversário de alguém importante. No geral, elas se condoíam mais do que eles.

O segundo componente tem origens sociais. A pesquisa A batalha pelo talento feminino no Brasil, publicada neste ano pela organização internacional Center for Work-life Policy, que estuda o mercado de trabalho, rastreou as origens da culpa em 1.100 brasileiras com curso superior, que trabalham em multinacionais. Cerca de 60% se dizem culpadas por não dar mais atenção aos filhos; 44% sentem mais culpa por não cuidar dos pais idosos. Em torno de 40% admitiram pensar em frear a carreira ou desistir dela por causa das dificuldades para conciliar trabalho e família – e por sentir preconceito no ambiente de trabalho.

“Algumas mulheres desistem, acreditando que foi uma opção. Não foi”, afirma Regina, do Insper. “Muitas vezes, desistir da carreira é uma defesa feminina para o fato de que não são oferecidas opções para a mulher driblar os obstáculos da vida doméstica.” Uma pesquisa feita em 2010 pelo Fórum Econômico Mundial e conduzida em 20 países, entre eles o Brasil, elencou as barreiras para que as mulheres alcancem os melhores postos de trabalho. A ausência de políticas corporativas para equilibrar a vida pessoal e profissional das funcionárias e a falta de horários flexíveis foram campeões de queixas.

Conformar-se (ou apenas queixar-se) não é solução. “Reduzir os obstáculos à realização profissional feminina não depende apenas de uma mudança cultural, mas também da disposição da mulher para encarar as dificuldades”, diz a socióloga Natália Fontoura, coordenadora de Igualdade e Gênero do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada. Um bom começo é não se deixar abalar pelas próprias cobranças, ao entender que a origem da sensação de culpa é, em parte, externa.

“Na história e na literatura, a mulher foi considerada culpada desde tempos imemoriais”, afirma a filósofa Márcia Tiburi. Na Bíblia, é ela quem provoca a expulsão de Adão do Paraíso, por dar ouvidos à serpente. Na mitologia grega, é quem abre a caixa de Pandora, liberando todos os males do mundo. “As mulheres de hoje herdam esse discurso histórico e se sentem obrigadas a provar que podem ser excelentes profissionais, mães, companheiras e, claro, ainda precisam ser lindas”, afirma Márcia. “Quem não consegue ser essa heroína se sente em dívida, como se não tivesse cumprido seu dever.”

3. APRENDA A ABRIR MÃO

Não há nada de errado em renunciar a algum aspecto da vida quando a escolha é consciente (e autônoma). Pelo contrário. “A mulher precisa entender que o equilíbrio pode implicar fechar alguns caminhos, perdas”, diz a psicanalista Walkiria Helena Grant, da USP. Não dá para ser “supermulher”, por mais que todas tentem e sofram com isso. O termo faz referência à figura do herói dos quadrinhos Super-Homem, mas foi usado em contexto sério pela escritora americana Marjorie Hansen Shaevitz. Em 1984, ela descreveu a síndrome da supermulher, no livro de mesmo nome. Fez sucesso ao criticar a ilusão de que a mulher deve sobressair tanto nos traços naturalmente femininos (como carinho ou beleza) quanto nas características atribuídas aos homens, como segurança e sucesso profissional.


A dona de casa Patrícia Azevedo Dotto, de 40 anos, enfrentou sua síndrome de supermulher há dois, quando deixou seu trabalho como dentista e empresária para dedicar-se exclusivamente à família. Casada há dez anos, ela cuidou do enteado Klauss e agora se dedica ao filho Khess, de 11 meses.

PATRÍCIA DOTTO, 40 anos I Dentista
Ela aceitou abrir mão da profissão para
se sentir uma mãe completa para o filho
Khess, de 11 meses. Descobriu-se em
seu melhor papel

“As pessoas me questionavam por ter estudado tanto e ter deixado a profissão”, afirma. Ela diz ter sentido insegurança no primeiro momento, mas hoje afirma estar contente com sua escolha. “Entendi que precisava abrir mão de alguma coisa para me sentir realizada como mãe.”

No início do século passado, as mulheres já eram criticadas por ficar em casa, enquanto os homens morriam na guerra. As donas de casa viraram “ameaças à sociedade”, mas não se ofereciam muitas alternativas a esse papel doméstico. Um dos livros que ajudaram a reforçar o preconceito foi o best-seller Generation of vipers (Geração de víboras), do escritor Philip Wylie. As víboras em questão eram as mães amorosas, tidas como responsáveis por mimar os filhos e torná-los fracos. Não era uma crítica feminina, mas sim uma manifestação antifeminina. As feministas do fim da década de 1960 também não perdoavam a escolha pelo papel de mãe em tempo integral. Acusavam essas mulheres de desperdiçar educação. Hoje, a ditadura da mulher profissional começou a esmorecer.

“Depreciar a mulher que quer ser mãe é uma distorção”, afirma a intelectual americana Camille Paglia (leia a entrevista completa). “O feminismo deveria encorajar escolhas e ser aberto a decisões individuais.” Isso nos leva a outro mandamento importante:

4. NÃO CEDA ÀS PRESSÕES

Todo mundo tem uma opinião sobre o que as mulheres deveriam fazer com suas vidas. Das feministas que lutam pela igualdade de oportunidades aos conservadores, que defendem a combinação “casamento & filhos”. É duro resistir a essas pressões. Elas tendem a moldar de forma inconsciente as expectativas das mulheres. No passado, as mais estudadas, que ingressavam no mercado de trabalho, ficavam sem casamento. Os homens recusavam atitudes assertivas e independentes. Alguns manuais pós-guerra recomendavam às moças que se fizessem de bobas. Hoje, as demandas são mais variadas e sutis, mas existem.

Nos Estados Unidos, um estudo a ser publicado nas próximas edições do Journal of Family Issues comparou o que os homens desejavam de uma mulher em 1939 e mais recentemente, em 2008. O trabalho revelou que, em 1939, eles preferiam uma boa cozinheira (8º lugar hoje) virgem (10º lugar hoje). Continuam no alto da lista coisas como “ser uma pessoa com quem se pode contar” (era 1º e virou 2º), “estabilidade emocional e maturidade” (foi de 2º para 3º) e “temperamento agradável” (de 3º para 5º). Escolaridade e inteligência estavam em 11º lugar em 1939, saltaram para 4º lugar em 2008.

Agora, o que os homens acham mais importante na hora de escolher uma mulher é “atração mútua e amor”. Antes, isso vinha em 4º lugar. Claramente, as coisas estão mudando, mas nem sempre na direção de valorizar o conteúdo das mulheres. A beleza, que no passado era o 14º item da lista masculina, agora está em 8º lugar – e subindo!


A artista plástica Nuria Casadevall, de 48 anos, comprou a briga contra as pressões sociais. Especificamente, contra a ideia de que mulher tem de casar e ter filhos.

NURIA CASADEVALL, 48 anos I Artista plástica
Resistiu às pressões da sociedade que
sugeriam que ela tinha de casar e ter filhos.
Solteira, é feliz ao aproveitar a vida sem limites

Solteira convicta, Nuria é presidente de um portal na internet. Diz que nunca sentiu que seria realizada como mãe. Ela aprendeu que seus valores – como o apreço pelo desenvolvimento intelectual e pela liberdade – não podem ser violentados para atender a preconceitos sobre a felicidade feminina. “Estou sozinha porque quero”, diz.

“Procuro um homem que tenha afinidades comigo, caso contrário não há razões para me casar.” O preconceito ainda existe. “As pessoas pensam que mulher solteira é uma rejeitada. Ou homossexual”, diz Nuria.

“Mas você vai se importar com o que as pessoas falam de você? Prezo muito a liberdade de fazer o que quiser quando bem entender.” Hoje, Nuria está mais preocupada em cuidar de si mesma. Faz parte de um grupo que pedala à noite pela cidade de São Paulo, parou de fumar, vai à academia três vezes por semana e viaja sempre que pode. Segundo um estudo divulgado em 2010 pela Organização para Cooperação e Desenvolvimento, em países como Reino Unido, Áustria e Holanda, cerca de um quinto das mulheres na faixa dos 40 anos não tem filhos. No Brasil, 40% das mulheres com mais de 15 anos são solteiras e 34%
ainda não tiveram filhos.

5. VALORIZE-SE

Cuidar de si mesma não é mais uma questão de se adequar a padrões estéticos (leia a reportagem sobre as mudanças nos padrões de beleza). É uma forma de proteger nosso bem mais precioso, o corpo. “Hoje, o conceito de beleza está atrelado à saúde”, diz a psicanalista Joana Novaes, coordenadora do Núcleo de Doenças da Beleza, da PUC-Rio.

Uma vida saudável se traduz no bem-estar mental e social. Os cuidados com o corpo da atriz e modelo Sandra Garcia, de 27 anos, cujas fotos ilustram esta reportagem, são exigências da profissão. Mas ela conseguiu transformá-los em ponto de equilíbrio, em meio a seu cotidiano atribulado. Casada há três anos, concilia os cuidados com a filha Manuela, de 6 meses, com a rotina de trabalhos e testes diários, muitos em horários pouco convencionais. “Faço questão de tirar um tempo para mim e de me cuidar”, diz Sandra.

A questão não é ficar bonita. É sentir-se bem. Seus hábitos incluem ginástica todos os dias, sessões de drenagem linfática duas vezes por semana e passeios de bicicleta com o marido aos fins de semana – uma forma de temperar com diversão os cuidados com a saúde. “Para estar bem com minha família e com os outros, preciso estar de bem comigo”, diz Sandra. Para conseguir o tempo necessário para cuidar-se, há uma exigência:

6. SEJA EGOÍSTA

Não é preciso ser egoísta no sentido mesquinho da palavra, mas é importante lembrar que você tem direito a algumas horas de seu dia só para você. Sentiu culpa? (Se a resposta for sim, releia o segundo mandamento e coloque a culpa de lado.)


A administradora de empresas Mônica Nascimbeni, de 32 anos, já foi uma workaholic e comandante estressada de uma casa com marido, uma filha bebê, um enteado pré-adolescente e um cachorro.

MÔNICA NASCIMBENI, 32 anos I Administradora
Concilia marido, enteado, filha e cachorro com o
trabalho de executiva em uma multinacional. Mas
sabe que precisa ter momentos só seus. Corre
para desestressar

Ela percebeu que precisava se lembrar dela mesma quando pequenos imprevistos cotidianos começaram a tirá-la do sério – um sinal inequívoco de estresse. Hoje, sua rotina continua longe de ser tranquila. Mônica deixa diariamente a filha de 1 ano com a avó para encarar um expediente de dez horas numa multinacional.

Mas conseguiu encontrar brechas para, simplesmente, pensar em si mesma. Às terças-feiras e quintas-feiras, participa de um grupo de corrida com percursos de uma hora e meia. “As mulheres não sabem dizer não e, por isso, costumam se anular”, diz Christian Barbosa, presidente da consultoria de produtividade Tríade. “Elas precisam urgentemente encontrar brechas para elas mesmas no dia a dia para se equilibrar.” Na receita de bem-estar de Mônica e de qualquer mulher também não pode falar sexo. Por isso:

7. MARQUE HORA PARA FAZER SEXO, SE FOR PRECISO

As mulheres costumam se esquecer desse ingrediente à medida que suas responsabilidades aumentam – um dado preocupante numa sociedade em que a influência feminina cresce. Um estudo divulgado em outubro na publicação científica Journal of Sex Research mostrou que, quanto maior a influência das mulheres nas decisões familiares, menor é a frequência com que elas fazem sexo. A pesquisa foi feita em países africanos por cientistas da Escola de Saúde Pública Johns Hopkins Bloomberg, nos Estados Unidos. Os pesquisadores preferem não arriscar explicações sobre a relação entre poder, sexualidade e as famosas dores de cabeça. Simplesmente anunciaram que farão mais estudos para responder à questão.

No dia a dia, as mulheres sabem intuitivamente a resposta procurada pela ciência: conforme elas ganham poder de decisão e responsabilidades, o desgaste físico e emocional também é maior. Maior inclusive que nos homens. Elas sentem necessidade de abraçar todas as tarefas (culpa, lembra?), enquanto os homens se dão por satisfeitos em fazer bem uma coisa só.

Manter a libido sob pressão permanente é mais difícil. A ginecologista Carolina Ambrogini, da Universidade Federal de São Paulo, coordenadora do Projeto Afrodite, que estuda sexualidade feminina, afirma que marcar hora para fazer sexo é (por incrível que pareça) uma boa medida. Ela garante que o compromisso com o prazer e o bem-estar não vai virar outro compromisso chato do cotidiano. “Tem de colocar na agenda”, diz Carolina.

A única recomendação é que o sexo programado não vire o único tipo de sexo da relação. Ele é apenas um lembrete prático de que a satisfação sexual é ingrediente básico de uma vida plena. A mesma regra vale para as saídas com os amigos, os jantares a dois, as idas ao cinema e ao teatro.

8. MANTENHA A VIDA SOCIAL ATIVA

A cada duas semanas, Mônica e o marido deixam as crianças com babás ou alguém da família para pegar um cinema ou jantar. Uma regra semelhante é seguida pela publicitária Florencia Lear, de 23 anos, e pelo namorado, o também publicitário Luiz Felipe Villas, de 30. Os dois moram juntos há um ano, depois de quatro de namoro.

Estabeleceram que, ao menos uma vez por semana, o destino deles depois do trabalho não é o apartamento do casal. Juntos ou separados, eles rumam para encontros com amigos. Os passeios não precisam ser a cada duas semanas, como os de Mônica, ou semanais, como os de Florencia. Não há receita. Eles querem evitar que o lazer se transforme em outro compromisso. “É preciso dar espaço à espontaneidade, senão até a diversão vira obrigação”, diz Barbosa, da consultoria Tríade.

9. MANDE O MARIDO PARA A COZINHA

Dividir as tarefas domésticas é a melhor medida para combater uma das maiores fontes de insatisfação feminina: o acúmulo das responsabilidades. Aqui, o recado é para os homens. Segundo uma pesquisa do Pew Research Center, um instituto americano de opinião pública, 62% das pessoas casadas acreditam que dividir as tarefas domésticas é o terceiro elemento mais importante para a felicidade no casamento, atrás apenas de confiança e sexo.

A relevância tem explicação lógica. “De forma geral, a mulher e o homem trabalham, mas ele descansa quando chega em casa, enquanto ela começa outro expediente”, afirma a psicóloga Leila Tardivo, da USP. “Essa sobrecarga traz sentimentos de insatisfação e frustração.”

No Brasil, segundo um estudo do Instituto de Política Econômica Aplicada, homens e mulheres ainda não dividem as tarefas como deveriam. Um estudo do ano passado mostrou que as mulheres dedicam 25,4 horas semanais ao lar, enquanto os homens 10,1.

Florencia, a jovem publicitária, é novata na rotina a dois. Mas conseguiu o que muitas brasileiras julgam impossível: incluiu o namorado no cronograma de afazeres domésticos. “O Luiz já havia morado sozinho. Ele sabe o trabalho que dá cuidar de uma casa”, diz. Enquanto ela arruma a cama do casal, ele prepara o café da manhã. Quatro vezes por semana é ele quem pilota o fogão (quem chega antes do trabalho compra os ingredientes para o jantar).


Ele tira o lixo diariamente. Ela lava a louça e mantém cada coisa em seu lugar para o apartamento não virar uma bagunça. A limpeza pesada fica a cargo de uma faxineira, contratada duas vezes por semana. A ajuda de Luiz Villas não só alivia possíveis tensões, como permite que Florencia tenha tempo para si. Quatro vezes por semana, pelas manhãs, ela faz aulas de ioga para cuidar do corpo e relaxar.

FLORENCIA LEAR, 23 anos I Publicitária
Há um ano morando com o namorado,
percebeu que a vida ficava melhor se ele
ajudasse nas tarefas domésticas. Agora, ele
é o encarregado do fogão

10. TENTE VIVER COM MAIS LEVEZA

É essencial diminuir as cobranças, (consigo mesma e com os outros) e superar o estereótipo da supermulher. “A perfeição não existe”, afirma Leila, a psicóloga da USP. “Administrar nossas falhas não significa se acomodar na incompetência.” Um jeito de diminuir a ansiedade de abraçar o mundo é aproveitar o momento presente, cada um deles.

Pela simples razão de que o futuro é essencialmente incontrolável. Planejar, prever e antecipar são verbos conjugáveis até certo limite. Depois disso, é preciso relaxar e desfrutar a vida como ela se apresenta. “As mulheres costumam idealizar o futuro e, por isso, ficam ansiosas com a vida que vem pela frente”, diz Artur Scarpato, psicólogo da PUC-SP.

Combater essa ansiedade – assim como a culpa – é um dos segredos das mulheres felizes.

MARCELA BUSCATO, MARTHA MENDONÇA, NATHALIA ZIEMKIEWICZ E TONIA MACHADO. COM LUÍZA KARAM


amigosdofreud.blogspot.com/


Revista Época









segunda-feira, 5 de março de 2012

Venha Dançar Comigo (Strictly Ballroom) 1992-Sinta a vida com a alma...




Sinopse

Scott Hastings (Paul Mercurio) é um ótimo dançarino e também um campeão da dança de salão. Porém, para total desagrado da comunidade da dança de salão na Austrália, que é controlada por Barry Fife (Bill Hunter), o presidente da federação, Scott decidiu sair do convencional e criar seus próprios passos, ao invés de dançar uma coreografia que foi criada por outra pessoa. Fran (Tara Morice) é uma dançarina iniciante, que tem a audácia de pedir para ser a parceira de Scott, pois ele perdeu sua parceira, Liz Holt (Gia Carides), que ficou irritada com ele quando Scott, no meio de um concurso, executou passos considerados "espalhafatosos". No início ele reluta, mas acaba aceitando Fran como sua parceira para disputar o Pan Pacific, o mais importante torneio de dança de salão. Ambos sabem que provavelmente não irão vencer, mas o mais importante é eles criarem novos passos.

Ficha Técnica

Título Original: Strictly Ballroom
Gênero: Musical
Tempo de Duração: 94 minutos
Ano de Lançamento (Austrália): 1992
Estúdio: M & A / Beyond Films / Rank Film Organization / Australian Film Finance Corporation
Distribuição: Miramax Films
Direção: Baz Lhurmann
Roteiro: Baz Lhurmann e Craig Pearce, baseado em idéia original de Baz Lhurmann
Produção: Tristam Mall
Música: David Hirschfelder
Fotografia: Steve Mason
Desenho de Produção: Catherine Martin
Direção de Arte: Martin Brown e Faith Martin
Figurino: Angus Strathie
Edição: Jill Billcock

Elenco
Paul Mercurio (Scott Hastings)
Tara Morice (Fran)
Bill Hunter (Barry Fife)
Pat Thomson (Shirley Hastings)
Gia Carides (Liz Holt)
Peter Whitford (Les Kendall)
Barry Otto (Doug Hastings)
John Hannan (Ken Railings)
Sonia Kruger (Tina Sparkle)
Pip Mushin (Wayne Burns)
Kris McQuade (Charm Leachman)
Antonio Vargas (Rico)
Armonia Benedito (Ya Ya)
Jack Webster (Terry)
Lauren Hewett (Kylie Hastings)



Love Is In The Air - do filme Vem Dançar Comigo_Clipe do Filme Vem Dançar Comigo(Strictly Ballroom, 1992









O Leão



Os filhotes não haviam ainda aberto os olhos. Estavam há três dias junto da mãe leoa, movendo-se apenas para tatear em busca de leite, sem nada ver ou ouvir.

Um pouco afastado, o leão observava-os orgulhosamente.

Subitamente pôs-se em pé e, sacudindo a linda juba, soltou um rugido que parecia um trovão.

Imediatamente os filhotes abriram os olhos, enquanto que todos os animais selvagens da floresta fugiram aterrorizados.

Assim como o leão acorda seus filhos com um grito alto, também o elogio desperta a virtude adormecida de nossos filhos. Encoraja-os a estudar e a lutar pela honra, e afasta tudo o que é indigno deles.

Leonardo da Vinci

Mini biografia de Leonardo da Vinci



Introdução

Leonardo da Vinci e gênio são sinônimos. Há meio milênio suas realizações nas artes, na engenharia e na ciência são expressões dos ideais humanistas e científicos que moveram a Renascença, momento histórico em que a humanidade despertou das trevas da Idade Média. Naqueles tempos, ninguém representou melhor a opção humana pelo mundo natural em detrimento do sobrenatural do que da Vinci.

Leonardo era movido pela vontade de conhecer. Dotado de um talento inigualável, ele não só produziu obras-primas nas artes, como também construiu projetos arquitetônicos e de engenharia revolucionários e esboçou invenções que estavam séculos à frente de seu tempo. Seus pensamentos abrangiam da astronomia à história natural. Suas realizações incluem a construção de canais e a drenagem de pântanos, a invenção de um método de impressão e de um telescópio. Seus estudos sobre a anatomia do corpo humano levaram-no a desenvolver uma teoria sobre a circulação sanguínea e a descrever com precisão o desenvolvimento dos fetos. Entre seus projetos mais impressionantes está a de uma máquina voadora e de um veículo capaz de mover-se sozinho.

Mona Lisa
Reprodução
"Mona Lisa", de Leonardo da Vinci
Mas foi na arte que a genialidade de da Vinci mais se popularizou. Duas de suas obras-primas, a ?Mona Lisa? e a ?A última ceia?, encantam multidões do mundo inteiro e inspiram artistas de todas as áreas há cinco séculos. Leonardo produziu obras de artes que fundiram as inovações técnicas renascentistas de composição, proporções ideais e perspectivas. O caráter do artista era tão complexo e misterioso que ele tornou-se uma figura lendária desde a sua juventude. Aliás, mistérios não faltam no legado de da Vinci. A identidade do rosto enigmático da ?Mona Lisa? ou os possíveis ?códigos secretos? presentes em suas obras são temas constantemente provocadores da imaginação de estudiosos e artistas. Conheça nas próximas páginas mais sobre a vida e a obra de Leonardo da Vinci.

O que foi o Renascimento
O Renascimento ou Renascença é o período histórico na Europa que marca o fim da Idade Média e o nascimento da Idade Moderna. Assim foi chamado porque nele ocorre um ?renascimento? do interesse pelas culturas clássicas da Grécia e de Roma antigas. É durante a Renascença que acontecem as grandes navegações com a descoberta e exploração de novos continentes e as revoluções científicas, filosóficas e artísticas que tiveram como destaque os trabalhos de Galileu Galilei, Maquiavel, René Descartes e William Shakespeare, entre outros. Os valores e ideias cultivados pelos principais expoentes do Renascimento procuraram libertar a mente do homem dos dogmas religiosos ortodoxos impostos durante a Idade Média, para que ele pudesse pensar livremente de forma investigativa e crítica, e incentivar novas formas de criação. Essas características ficaram conhecidas como Humanismo. A principal fase da Renascença se estendeu do final do século 14 até meados do século 17. Leonardo da Vinci foi um perfeito representante do ?homem da Renascença?, um indivíduo de talentos múltiplos que irradiava saber.

A vida de Leonardo da Vinci
Leonardo da Vinci nasceu em Anchiano, em 15 de abril de 1452. Esse vilarejo era próximo da cidade de Vinci, na província de Florença (região da Toscana, Itália). Ser Piero, seu pai, era um bem-sucedido proprietário de terras e tabelião. Sua mãe era uma camponesa chamada Caterina. Mas, eles não eram casados. Após o nascimento, Leonardo foi criado pelo pai numa fazenda e sua mãe acabou por casar-se com um artesão.Durante a infância, o pai de Leonardo logo percebeu o talento artístico do filho, que chegou a pintar um dragão no escudo de um dos camponeses. Para fazer isso carregou para o quarto todas as estranhas criaturas que encontrou pela fazenda, como lagartos, grilos, serpentes, borboletas, gafanhotos e morcegos. Leonardo foi educado de acordo com os padrões da época, o que incluía aprender a ler e a escrever e aritmética. Somente quando ficou bem mais velho, ele se interessou seriamente pelo latim e pela matemática avançada, aprendendo ambos por conta própria.

Apesar de não haver retratos de Leonardo em sua juventude ? seus autorretratos já o mostram em idade avançada ? sua beleza tornou-se lendária. Relatos feitos por contemporâneos o mostram como um jovem alto, belo, forte, de longos cabelos loiros e com movimentos de pura graciosidade. Seus biógrafos associam sua perfeição física ao seu poder de encantamento e destacam também seu amor por cavalos e seu hábito de comprar os pássaros engaiolados para devolver-lhes a liberdade. Este último um sinal de sua fascinação pela liberdade de voar, que rendeu diversos esboços de asas e projetos de máquinas voadoras ao longo de sua vida. Sobre suas pretensões, da Vinci declarou que queria realizar milagres.
Aos 15 anos, Leonardo virou aprendiz do artista Andrea del Verrocchio, um típico artesão renascentista. Lá desenvolveu suas habilidades de pintar e de esculpir. Ele passou algum tempo também no ateliê vizinho, do artista Antonio Pollaiuolo. Aos 20 anos de idade Leonardo foi aceito na associação de pintores de Florença e permaneceu trabalhando na região até 1481. No ano seguinte, ele mudou-se para Milão para fazer alguns trabalhos para o duque Ludovico Sforza. Da Vinci viveu durante 17 anos na cidade. Duas de suas magistrais obras-primas foram pintadas nos primeiros anos em Milão: o quadro ?A virgem dos rochedos? e o mural ?A última ceia?. Mas a provável verdadeira razão da ida de Leonardo para Milão era erigir uma escultura de cinco metros de altura em bronze em homenagem a Francesco Sforza, fundador da dinastia a qual o duque pertencia. Mas a obra não foi concluída. Em função da iminência da guerra contra as tropas francesas, o bronze necessário foi usado na feitura de canhões.

A tomada de Milão pelo exército francês no final de 1499 levou Leonardo a deixar a cidade. Ele passou por Mantua e Veneza e alguns meses depois chegou a Florença, onde foi recebido com honras de filho célebre. Dois anos depois ele virou general-engenheiro das tropas papais sob comando de César Bórgia. Durante dez meses ele enfrentou condições de risco atravessando o território italiano. Nesse percurso, ele esboçou mapas topográficos que criaram os fundamentos da moderna cartografia. É dessa época seu encontro com Maquiavel.
Após a temporada com as tropas papais, Leonardo retornou para Florença, encarregado de um ousado projeto de construir um canal que ligasse a cidade ao mar. A ideia mostrou-se inviável, mas os traçados estabelecidos por ele foram usados para a construção de uma moderna autoestrada séculos depois. Nesse novo período em Florença, além dos trabalhos encomendados a ele, da Vinci dedicou-se intensamente a estudos científicos. Um deles foi o trabalho de dissecação no hospital Santa Maria Nuova que o levou a surpreendentes descobertas sobre o corpo humano. Um dos mais importantes trabalhos artísticos feitos por Leonardo nesse período foi a pintura da ?Mona Lisa?.
A admiração pelas obras de da Vinci, apesar de muitas delas não terem sido concluídas, tinha se espalhado. Em 1506, o governador francês em Milão solicitou a presença de Leonardo para a realização de vários projetos arquitetônicos. Assim como em suas estadias em Florença, Leonardo se cercava de jovens aprendizes que vinham de vários lugares para aprenderem com o mestre. Com a expulsão dos franceses de Milão em 1513, da Vinci mudou-se novamente. Desta vez, ele foi para Roma e ficou hospedado com Giuliano de Médici, irmão do papa Leão 10.º. Após três anos em Roma, com 65 anos de idade, ele aceitou o convite do rei Francisco 1.º e partiu para a França. Lá fez pequenos trabalhos de pinturas, um projeto arquitetônico de um palácio e seus jardins e organizou seus escritos científicos. Em 2 de maio de 1519, Leonardo da Vinci morreu na cidade francesa de Cloux. Seus bens artísticos e científicos ficaram para Francesco Melzi, um jovem nobre que era um de seus pupilos.

A arte de Leonardo da Vinci
Apenas 17 pinturas feitas por Leonardo da Vinci sobreviveram aos tempos. Ainda assim algumas delas estão inacabadas. E mesmo com tão poucos trabalhos, da Vinci representou o melhor que a Renascença nos proporcionou em termos artísticos.
Leonardo da Vinci
© istockphoto.com / Michael C.
"Mona Lisa" em estampa de selo coreano
A sua mais famosa obra é o quadro ?Mona Lisa?, que está em uma sala especial no Museu do Louvre, em Paris (França), desde 1804. Nas poucas vezes em que saiu oficialmente do Louvre ? em 1911, o quadro chegou a ser roubado por um funcionário italiano do museu, mas foi recuperado dois anos depois em Florença ?, o quadro atraiu multidões. Sua passagem por Nova York provocou congestionamentos e 1,6 milhão de pessoas foram vê-la numa exposição de sete semanas. Mesmo no impressionante acervo do museu francês, o quadro é a principal atração para os cerca de seis milhões de visitantes anuais que por lá passam.
Pintado entre 1503 e 1506, o quadro também conhecido como ?La Gioconda? retrata Lisa del Giocondo, esposa de um mercador florentino. O senso de harmonia presente nessa pintura sintetiza a ideia de da Vinci de uma ligação cósmica entre a humanidade e a natureza. Apesar de basear-se nos modelos simples de retratos, na ?Mona Lisa? o artista mostra toda sua genialidade em cada detalhe. Da Vinci faz o uso da perspectiva com todas as linhas convergindo para um único ponto de fuga que fica atrás da cabeça da Mona Lisa. Seus conhecimentos sobre anatomia, obtidos em sua temporada num hospital onde dissecou e estudou mais de trinta cadáveres, aparecem nos exatos traçados do corpo retratado, como nos detalhes das mãos. No quadro, ele consegue criar a sensação de feições tridimensionais a partir do uso de luz e sombra. As formas emergem das sombras e se misturam nelas, sem bordas definidas em função do uso de uma gradação contínua de tonalidades sutis de cores. Outra característica marcante do retrato é o enigmático sorriso no rosto da modelo



Ele é o resultado de músicos e bufões contratados por Leonardo para distrair ?La Gioconda? enquanto pousava para o retrato. A ?Mona Lisa? foi imediatamente reconhecida como uma obra-prima e por séculos tem influenciado artistas das mais diferentes ?escolas?. O quadro tornou-se não só o mais popular como também o mais reproduzido de todos os tempos. Entre as versões modernas estão a de Marcel Duschamp que fez uma Mona Lisa de cavanhaque, em 1919, e os silkscreens de Andy Warhol, de 1963.
No novo milênio, o sucesso do livro e do filme ?Código da Vinci? tornou ainda mais evidente e popular uma outra obra do artista: ?A última ceia?. Considerada a pintura religiosa mais venerada em cinco séculos, o mural foi feito, segundo da Vinci, para pintar o homem e a intenção de sua alma. O momento em que, segundo o cristianismo, Jesus anuncia que um de seus discípulos iria traí-lo e a reação de cada um foi transformado pela arte de da Vinci em uma das mais impressionantes obras-primas já criadas. Em vez das técnicas tradicionais do afresco, como eram usadas naquele tipo de trabalho, Leonardo optou por uma emulsão de óleo e têmpora. O problema é que a pintura não aderiu bem à alvenaria e ela começou a se desfazer ainda na época do artista. A obra foi restaurada, mas muito pouco da pintura original permaneceu intacta. ?A virgem dos rochedos? é uma outra obra-prima do artista. Pintada no período inicial de sua atividade artística, ela traz tons crepusculares e um delicado naturalismo para representar o tema da Virgem ajoelhada diante do Menino Jesus e de São João Batista. A obra que está no Museu do Louvre é considerada, por críticos e estudiosos, de uma perfeição plástica absoluta e uma das mais belas obras de arte do mundo. Mesmo com o quadro coberto por camadas de verniz e após sua transferência de seu painel de madeira original para uma tela, o que impede qualquer limpeza que não lhe cause danos, é possível distinguir sua notável luminosidade. Na análise de Kenneth Clark, as obras de Leonardo trazem um conflito entre sua estética e seu modo científico de abordar a pintura, além de mostrarem sua apaixonada curiosidade pelos segredos da natureza e a fantástica acuidade do seu olhar sobre eles. Segundo Clark, a estética nas obras de da Vinci é profundamente romântica enquanto que seu modo científico, como o manifestado em ?A última ceia?, estabeleceu as bases do academicismo que veio a seguir.

A ciência de Leonardo da Vinci
Leonardo da Vinci foi um artista-cientista. Nos cadernos que deixou com esboços e anotações de ideias estão as provas de sua imaginação fértil. Elas abrangiam vários campos das ciências e das artes, como anatomia, engenharia, astronomia, matemática, história natural, música, escultura, arquitetura e pintura. Sua versatilidade lhe fez precursor de várias invenções e descobertas que ocorreriam nos séculos seguintes. Uma das mais impressionantes é seu esboço de uma máquina voadora que serviu de ponto de partida séculos depois para o desenvolvimento do helicóptero. Outra foi o que ficou conhecida como o ?automóvel?, um veículo capaz de mover-se sozinho. Para fazer isso, Leonardo esboçou um complicado sistema de engrenagens que acionam molas que funcionam como motor dessa máquina.
Fontes
CLARK, Keneth. Leonardo da Vinci. São Paulo: Ediouro, 2003.
STRICKLAND, Carol. Arte comentada: da pré-história ao pós-moderno. Rio de Janeiro: Ediouro, 2001.
www.britannica.comInformações



 
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